sexta-feira, 1 de julho de 2011

Filha única? Não.


   Sinceramente não conseguiria dormir tão fácil, sem que escrevesse o que estou sentido, o que está borbulhando em meus pensamentos, à medida que arde em meu coração. Sei que sou um tanto quanto intensa em meus sentimentos, mas realmente não me preocuparei que o que queima em mim nesse momento pareça exageradamente piegas. Preciso tão somente escrever, para que em nenhum momento em venha a esquecer.
   Bom, hoje estive com pessoas, as quais amo de forma indescritível, com um amor que realmente não pode sair de mim sem ter sido inspirado por Deus.  Na verdade, não só hoje, mas sempre sou rodeada de pessoas que me enchem desse verdadeiro amor (tenho até vontade de chorar quando escrevo isso). Pois é, passei parte da noite com amigas, e foi esse "simples" momento que me conduziu a querer dizer, o que passo a escrever agora.
   Quando era muito novinha, acho que com três anos de idade, minha mãe chegou a engravidar, mas perdeu espontaneamente o bebê, e meu pai, pelo que ele diz, não desejou ter outros filhos, além de mim. E aconteceu o esperado, os anos foram passando e por mais que eu pedisse uma irmãzinha ou quem sabe “inho”, no afã de abandonar o ofício de filha única, o desejo não se cumpriu.
   Tendo uma visão individualista, muitas são as vantagens de não se ter irmãos, mas, como há muito, não sou adepta dessa corrente, preferiria ter partilhado os meus brinquedos, por mais doloroso que pudesse ter sido, a não ter ninguém para partilhar a vida, alguém a quem realmente se possa chamar de irmão (acho que é daí o meu desejo de ter no mínimo quatro filhos-rs).
    Mas voltando para o teor real do quero dizer, o fato é que, Deus ama uma palavrinha chamada: COMUNHÃO. E esta palavra é diametralmente oposta à outra, solidão. E, por mais sozinhos que tenhamos sido ao longo da nossa vida, quando Ele nos chama, nos chama para esse contexto de comunhão. E foi desta forma “incomum”, que uma filha única pôde entender qual o sentido da palavra IRMÃO. Sinto-me completamente livre para dizer que sei o peso que tem essa palavra. Só pode ser presente de Deus mesmo.
  Essas amigas, não devem ser chamadas apenas por essa nomenclatura, não que eu despreze o valor atribuído a esta palavra, mas a questão é que elas são mais que amigas, são verdadeiras irmãs. E é com plena compreensão da palavra que digo: elas me fazem saber quão precioso é ter irmãs.
   E o que tento dizer com tudo isso, não passa de uma tentativa de repetir o que meu pai disse, em meu aniversário de 20 anos: não dei a ela irmãos, porque sabia que um dia ela seria inserida em uma família de muitos filhos, que lhes seriam como irmãos (só acrescentando, esses filhos são semelhantes a Jesus). Profetizou, né?
  Dedico este texto a Nay, Marcelinha, Nathi Amorim, Nati Dama e Wag, afinal foi só pelo fato de estar rapidamente juntinho delas hoje, que senti a necessidade de escrever esse texto. Porque só a presença delas me enche de um amor inexplicável, sempre; e dedico também a todas as minhas amigas-irmãs.
  E, especialmente, a Deus que não permitiu que eu fosse sozinha, mas preencheu minha vida de IRMÃ(OS) em todas às nações.

"Pois a força está na união, na soma do melhor de cada um. O segredo está na união, nos tornamos fortes quando damos as mãos"


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Caderninho - Parte I

Mesmo em meio aos espinhos da vida, dedico esta rosa a uma preciosa amiga!

   Eu guardo com carinho um caderninho, que minhas amigas conhecem bem, de tanto que eu falo sobre ele. E nele eu costumava escrever as minhas conversas com Deus, e o mais engraçado - e só agora é engraçado -  que ele guarda uma fase de transição marcante em minha vida, uma fase de tristeza que depois é seguida de  inefável alegria. Enfim, sem maiores delongas, ocorre que, hoje queria mt postar algo em meu novo blog (sabe comé? criança com um brinquedinho novo fica assim), mas não me veio nada digno de ser escrito, aí uma grande amiga, me disse: porque vc não escreve algo daquele seu caderno. A princípio hesitei, e  só depois percebi que deveria escrever uma de minhas orações e dedicar a essa grande amiga, que agora enfrenta batalhas maiores que as minhas. Mas em Cristo já é mais que vencedora.

Lá vai o que escrevi no caderninho:

Senhor, 

   Tenho aprendido que Tu não nos livras DO problema, mas NO problema. Em meio a todo o caos e confusão Tu és refúgio e força. Eu não preciso NÃO estar no deserto, mas sim ser carregada por Ti e beber das tuas águas. Não desejo fugir da tempestade, mas em meio a ela dormir em Teus braços de Pai, pois só desta forma não temerei os relâmpagos e trovões. Não correrei da batalha, tão pouco dos meus inimigos, pois creio que preparas uma mesa para mim na presença de todos eles. 
    Tenho entendido Pai, que os meus piores e maiores inimigos não são as pessoas ou as circunstâncias, mas sim o medo delas, e a dor quanto àquelas. A insegurança quanto ao que sou ou quem sou em Ti, a identidade mal formada, a desconfiança acerca das coisas que virão (e, por conseguinte, a incredulidade quanto as tuas promessas), a ansiedade quanto à vida e o que virá. O pior de todos os inimigos, a falta de FÉ.
    Tenho visto Jesus, que muitas vezes, e porque não, sempre, percebemos todas essas coisas em meio a grandes adversidades, perdas e dores. É em meio às tempestades que conseguimos ver que a nossa casa não está completamente alicerçada na rocha; e, quando passamos pelo deserto é que compreendemos que, em muitos momentos, esquecemos o caminho que nos leva até as águas da vida - verdadeiro oásis; e, é no momento em que entramos na guerra, que percebemos que a armadura já foi disponibilizada por Ti, mas não estamos revestidos, em todo tempo, dela (Efésios 6: 10-20). 
   É por isso Pai, para que percebamos tudo isso, Senhor, que tu permites as chuvas, os lugares áridos e a batalha. Tu sabes Paizinho, que todas essas circunstâncias trazem dor e sofrimento. Tu melhor do que ninguém sabe disso, mas Tu também sabes da necessidade de momentos como esses, a fim de que entendamos quando o Senhor diz em sua palavra: “... a minha graça te basta".
   Submeto-me a tudo o que tu me permites passar, ainda que doa e me faça chorar, pois tenho por certo que só assim aprenderei a vencer em Ti, todos os meus inimigos e a descansar nas Tuas palavras. Sabendo, assim, que mais profundo é o ministério dos espinhos que nos ensina a depender de Ti, que és o ÚNICO, do que o ministério da Glória.


                                                                                                               Gabi Roma.
 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Palavras certas: se não ditas, que sejam escritas.

   Desde muito pequena escuto que bebi a tal água de Janeiro, porque sempre falei sem parar; minha mãe conta que, ainda criança, quando saía comigo, eu contava toda a minha vida a primeira pessoa que encontrasse no ônibus. E ela, claro, ficava desesperada.
   Enfim, com isso quero dizer que falar sempre pareceu muito fácil para mim, imagino que antes mesmo de andar, eu já falava. E falava muito. E cresci falando, ou falei crescendo? O fato é que nunca tive dificuldades para expressar com a fala os meus pensamentos, por mais tolos que fossem.
   Não sei até que ponto, é tão bom ser falastrona. Na verdade, de tanto falar, aprendi que há mais sabedoria na arte do saber calar. Se bem que não alcancei ainda tamanha sabedoria, apesar de já há muito buscá-la e esforçar-me por aprendê-la. Ainda sou aluna, estou no caminho.
   Mas, assim como é uma habilidosa arte saber calar, é também saber dizer palavras certas, no momento oportuno. Contudo, nem sempre as encontramos, e nessas horas o melhor que temos a fazer é silenciar - e aí voltamos para o começo, à arte do saber calar (porque a palavra dita não volta atrás)- até quem sabe, encontrá-las. As benditas palavras certas!
   Por isso, esmerar-se em outra arte é preciso, a da escrita. Quer melhor oportunidade de dizer o que é necessário, do que qdo escrevemos? Esse é, sem dúvida, um grande momento para encontrarmos as palavras certas, como num desabafo ideal, quer seja pela dor ou pela alegria.
   Escrever os pensamentos após um árduo refinamento é algo que admiro muito - apesar de pouco ter me exercitado nesta lida -, acho uma excelente oportunidade para dizer o que realmente deveria ser dito, e não o foi. E se não o foi, é porque melhor é que fosse escrito. 
   É desta forma que começo meu blog, acreditando que há coisas sobre as quais devemos calar, e isso é bom, ou melhor,  é muitíssimo bom, porque até o tolo,calado se passa por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio (Provérbios 17: 28). Portanto, considero de grande valor o refrear os lábios.
   Mas existem "algumas coisas" que qdo não falamos, por não acharmos as palavras ideais, depois devemos tentar decodificá-las na escrita. Acho, sinceramente, que escrever nos ajuda a temperar as palavras que precisam ser ditas. O que pode nos conduzir a uma excelente reflexão sobre a vida.

"Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se"

  Desejo calar-me qdo preciso; e escrever o que devo falar, mas não consigo.